A Justiça da Argentina retoma, a partir da segunda
semana de fevereiro, o julgamento de vários processos
contra ex-militares e civis acusados de cometer crimes contra
a humanidade, como assassinatos e tortura, durante o período
do regime militar (1976-1983). A ditadura argentina é
apontada como uma das mais sangrentas da América
Latina, tendo deixado um saldo estimado de 30 mil mortos.
O primeiro processo será apreciado
a partir do dia 9 pelo Tribunal Criminal Federal de Mar
del Plata. Os ex-militares Julio Alberto Tommasi, Roque
Ítalo Pappalardo e José Luis Ojeda, além
dos civis Emilio Felipe Méndez e Julio Manuel Méndez
serão julgados pelo sequestro, tortura e morte do
advogado trabalhista Carlos Alberto Moreno.
Já o julgamento de Pedro Nolasco
Bustos, Jorge Vicente Worona y José Filiberto Olivieri
está previsto para começar no dia 14, em Córdoba.
Segundo a agência pública de notícias
argentina, Telam, os três ex-policiais faziam parte
do grupo acusado de deter e fuzilar estudantes universitários
militantes da Juventude Peronista (JP) Ana María
Villanueva, Jorge Manuel Diez e Juan Carlos Delfín
Oliva, em 1976.
Por fim, no dia 27 de fevereiro, deve ter
início o julgamento dos envolvidos no chamado Massacre
de Juan B. Justo, nome da rua onde ficava a casa em que,
também em 1976, foram mortos Omar Amestoy, a mulher
dele, Maria del Carmen Fettilini, dois filhos do casal (um
menino de três anos e uma menina de cinco) e Ana María
Del Carmen Granada. Respondem pelos crimes de privação
de liberdade, tortura e homicídios o ex-coronel Manuel
Fernando Saint Amant, o ex-policial Antonio Federico Bossie
e o ex-comissário geral Jorge Muñoz.
Um dos julgamentos de maior repercussão,
contudo, deverá ser o do general Jorge Rafael Videla,
que governou o país entre 1976 e 1981. Videla já
foi condenado pela Justiça argentina, em dezembro
de 2010, à prisão perpétua por crimes
de lesa-humanidade, como o assassinato de 31 presos políticos.
Ainda de acordo com a Telam, entre os vários
acusados que serão julgados ao longo do ano, também
está o general Luciano Benjamín Menéndez,
ex-chefe militar argentino.
Com informações
Agência Brasil e da Telam, agência pública
da Argentina
Edição: Vinicius Doria
Feira Hoje
30/1/12