A Justiça Eleitoral autorizou nessa terça-feira
(27) o registro do PSD. Com isso, o partido poderá
concorrer nas eleições de 2012. O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 6 votos a 1, que a
sigla articulada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto
Kassab, cumpriu os requisitos mínimos para integrar
o quadro partidário nacional, sendo a 28ª legenda
cadastrada. O ministro Marco Aurélio Mello foi o
único a votar contra.
Na Bahia, o PSD teve registro concedido
pelo TER no último dia 19. O partido teve pedido
de criação no Estado acatado por unanimidade
pelos juízes, uma semana após a Procuradoria
Regional Eleitoral se pronunciar favoravelmente à
requisição. A Bahia foi o 17º Estado
a aprovar a nova legenda, que tem o vice-governador Otto
Alencar como presidente estadual. Em Feira de Santana, o
PSD é organizado pelo deputado federal Fernando Torres,
eleito pelo DEM.
Voto-vista
Na semana passada, o julgamento foi interrompido
após divergência jurídico entre os ministros.
A Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.606/95) estabelece
que as certidões de cartórios eleitorais são
válidas para contabilizar as assinaturas de apoio
para a criação de um partido. No entanto,
uma resolução emitida pelo TSE no ano passado
considera válidas apenas as assinaturas certificadas
pelos tribunais regionais eleitorais.
O julgamento foi retomado nessa terça
com o voto-vista do ministro Marcelo Ribeiro. Ele lembrou
que era a primeira vez que a Corte se posicionava sobre
esse tipo de impasse. Por isso, defendeu que fosse feita
uma interpretação da resolução
a partir da lei.
Segundo Ribeiro, a legislação
determina que os tribunais regionais eleitorais (TREs) chequem
apenas uma vez as assinaturas para a criação
dos diretórios regionais dos partidos. O número
mínimo de apoios exigidos nesse caso é de
0,1% de votos válidos para deputado federal nas últimas
eleições em cada estado.
De acordo com o ministro, a etapa regional
foi cumprida e não havia sentido encaminhar novas
assinaturas - desta vez, o excedente necessário para
o registro nacional (0,5% dos votos para deputado) - para
os TREs certificarem. Isso porque, alegou, a etapa nacional
cabe apenas ao TSE.
Marco Aurélio contra
Ribeiro entendeu que o PSD alcançou
510.944 assinaturas válidas, cerca de 20 mil a mais
que o mínimo necessário. O número divulgado
por Ribeiro tem 4 mil assinaturas a menos do que o considerado
pela relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, uma vez
que ele excluiu alguns apoios duplicados seguindo sua metodologia.
O relatório de Nancy foi favorável a concessão
do registro para a sigla.
Além de Nancy e Ribeiro, os ministros
Teori Zavascki, Arnaldo Versiani, Cármen Lúcia
e Ricardo Lewandowski votaram a favor do registro do PSD.
Contrário à concessão
do registro ao partido, o ministro Marco Aurélio
fez críticas a rápida tramitação
do processo. “Desde cedo, aprendi que é muito
difícil consertar o que começa errado. Sempre
tive presente, que o meio justifica o fim e não o
fim o meio. E que a segurança jurídica é
o preço que pagamos por viver em um Estado democrático
e impõe o respeito às regras estabelecidas.”
O partido articulado pelo prefeito Kassab
surge com pelo menos dois governadores - Omar Aziz (AM)
e Raimundo Colombo (SC) - ; dois senadores - Kátia
Abreu (TO) e Sérgio Petecão (AC) - ; e cerca
de 50 deputados federais.
Com informações
Débora Zampier - EBC
Edição: João Carlos Rodrigues
Feira Hoje – 27/9/11