O corpo do dramaturgo Sérgio Britto foi sepultado
na manhã desse domingo (18), sob aplausos de amigos
e parentes, no Cemitério São Francisco Xavier,
no Caju, zona portuária do Rio.
Amigos de longa data, como as atrizes Nathalia
Timberg, Sura Berditchevsk e Renata Sorah, deram o último
adeus ao dramaturgo. "Estamos todos de luto. A coisa
mais linda que ele deixou em vida foi o legado para as novas
gerações", disse Nathalia Timberg, muito
emocionada.

O presidente da Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), Nelson Breve, e o diretor de teatro Gutti Fraga,
do grupo Nós no Morro, também compareceram
ao sepultamento e cumprimentaram os sobrinhos do ator, Paulo
Britto e Marília Britto. Na TV Brasil, o ator apresentava
o programa semanal Arte com Sérgio Britto, em que
abordava temas sobre teatro, cinema e literatura, fazia
críticas de peças e filmes que estão
em cartaz e entrevistava personalidades do meio teatral
e cinematográfico brasileiro.
"O respeito pelo palco, a rotina que
ele [Sérgio Britto] mantinha, o amor que tinha pelo
teatro, enfim, eu quero seguir os passos dele", disse
a atriz Totia Meirelles.
A atriz Fernanda Montenegro, que Sérgio
Britto chamava de irmã, não foi ao cemitério,
mas se despediu do amigo no velório, ontem (17) na
Assembleia Legislativa do Rio, no centro da cidade. “Era
um homem excepcional. Viveu uma grande vida. Nesse país
tão caótico, do ponto de vista ético
e comportamental, Sérgio é uma liderança.
Não foi uma liderança, ele é uma liderança”,
declarou ontem.
Sérgio Britto morreu na manhã
de ontem de insuficiência respiratória no Hospital
Copa D'Or, onde estava internado há cerca de um mês.
Britto abandonou
a Medicina
para se dedicar ao teatro
O dramaturgo Sérgio Pedro Corrêa
de Britto abandonou o 6º ano do curso de medicina,
em 1945, aos 22 anos, para dedicar-se exclusivamente ao
teatro amador. Não chegou a buscar o diploma, mas
costumava dizer que a experiência da época
em que praticou a medicina, em hospitais e emergências,
serviu de laboratório para a carreira de ator.
Em 1965, dirigiu a primeira novela da TV
Globo, Ilusões Perdidas, e a Muralha, de Ivany Ribeiro,
em 1968, além de atuar em dezenas de outros folhetins
televisivos. Mas o teatro foi sua grande paixão e
onde seu talento e genialidade afloraram. Dirigiu ou atuou
em mais de 100 peças.
Britto foi um dos fundadores do Teatro dos
Sete, em 1959, ao lado de Fernanda Montenegro, Ítalo
Rossi e Gianni Ratto, grupo que lançou obras consagradas
e polêmicas como O Mambembe, de Artur Azevedo, e O
Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues.
Em 1978, construiu o Teatro dos Quatro,
na Gávea, zona sul do Rio, cuja primeira peça
foi Os Veranistas de Górki, dirigida por ele, com
cenário de Hélio Eichbauer e atuação
de Ítalo Rossi, Luís de Lima, Renata Sorrah,
entre outros consagrados artistas da época. Lá,
montou e apresentou dezenas de peças antes de vendê-lo
em 2007. Hoje, o local continua sendo um dos maiores centros
de produção teatral do país.
O dramaturgo chegou a dirigir algumas óperas
como a La Traviata e O Guarani e, aos 80 anos, atuou em
musicais como Ai, Ai, Brasil e produziu e interpretou o
monólogo Sérgio 80, em que falava de suas
experiências no universo teatral brasileiro. No ano
passado, o dramaturgo lançou o livro O Teatro e Eu,
com um balanço de seus 65 anos de carreira.
Na TV Brasil, o ator apresentava o programa
semanal Arte com Sérgio Britto, em que o artista
abordava temas sobre teatro, cinema e literatura, fazia
críticas sobre peças e filmes que estão
em cartaz e entrevistava personalidades do meio teatral
e cinematográfico brasileiro.
Aos 88 anos, Britto enfrentava problemas
de saúde e, há cerca de um mês, foi
internado em um hospital da zona sul do Rio, devido a complicações
cardiorrespiratórias.
Considerado um dos criadores do teatro brasileiro,
o crítico de arte, autor, diretor, roteirista, cinéfilo
Sérgio Britto não teve filhos, mas deixou
na manhã deste sábado (17) órfãos
de diferentes gerações do teatro brasileiro.
Com informações
Flávia Villela - Repórter da Agência
Brasil
Edição: Talita Cavalcante
Feira Hoje – 18/12/11