A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
aprovou, por unanimidade, nessa segunda-feira (5), o processo
de anistia política do militante político
Carlos Marighella, morto em 1969 por agentes da Ditadura
Militar. Na sessão aberta ao público, no Teatro
Vila Velha, em Salvador, os conselheiros da comissão
seguiram o voto da relatora Ana Guedes.
Durante o julgamento do processo, a relatora
fez a leitura do relatório, que apontava as principais
causas para a concessão da anistia. Entre os motivos
citados estavam as perseguições, que culminaram
em seu assassinato por policiais do Departamento de Ordem
Política e Social (Dops), ao ser surpreendido por
uma emboscada na capital paulista.

Após a leitura, foi anunciado o parecer
favorável à anistia post mortem de Carlos
Marighella. O público se emocionou, principalmente
familiares e amigos. A viúva do líder revolucionário,
Clara Charf, chorou ao ouvir a decisão. “Durante
muitos anos mentiram sobre as atitudes de Marighella, fizeram
diversas acusações para justificar as perseguições
e a morte. Jogaram o nome dele na lama”.
A família não pediu reparação
econômica ao governo federal pelos danos morais sofridos
pelo líder político e sua família.
O evento também faz parte das comemorações
do centenário de nascimento de Carlos Marighella.
“Com este resultado, a Comissão da Anistia
fez justiça. Desmentiu tudo aquilo que foi difundido
na época sobre ele, que meu pai era autoritário,
terrorista. Marighella era um brasileiro digno, que lutou
contra a ditadura. Devemos muito a ele”, afirmou Carlos
Augusto Marighella, filho do homenageado.
De acordo com a vice-presidente da Comissão
da Anistia, Sueli Aparecida, todas as pessoas que foram
prejudicadas por perseguição política
durante os períodos de 1946 a 1988 deverão
ser declarados anistiados políticos. Durante a análise
dos conselheiros, são observadas também as
consequências que as perseguições causaram
à vítima e aos seus familiares. “Cabe
à Comissão da Anistia restaurar as condições
que ele teria se não fosse perseguido político”.
Governo anuncia criação
do memorial
Desde que foi criada, a comissão
julgou 55 mil requerimentos de anistia política.
Em 14 mil casos houve algum tipo de reparação
econômica, e em 22,5 mil processos houve apenas o
pedido oficial de desculpas do Estado. Dezoito mil pedidos
de anistia foram negados.
No total, foram concedidos aproximadamente
R$ 2,4 bilhões em reparações econômicas.
Há 11 mil processos na comissão aguardando
análise em primeira instância e outros 3,5
mil pedidos de recurso. Nos últimos três anos,
a comissão analisou 10 mil processos por ano. Para
o governador Jaques Wagner, a anistia é uma maneira
de se fazer justiça e um reconhecimento à
luta de Carlos Marighella, que desde a sua juventude lutou
pela democracia do país.
“A anistia está fazendo justiça
com todos os brasileiros perseguidos políticos da
época. A anistia é também uma maneira
de dizermos que não queremos que este período
de ausência de democracia retorne”, disse Wagner
em seu discurso, no qual também anunciou a criação
do Memorial Marighella, que vai expor fotos e a biografia
do militante político.
Com informações
Secom/Prefeitura Municipal
Feira Hoje – 6/12/11