Saúde
Homens sofrem com excesso
de peso mais que mulheres
Mais homens
estão acima do peso que mulheres. É o que constata
a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que avaliou
as medidas de 188 mil pessoas no país. Divulgada hoje
(27), a pesquisa mostra que 50,1% dos homens estão com
excesso de peso, enquanto entre as mulheres o percentual é
de 48%.
Fator de risco para a saúde,
o problema tem aumentado entre os adultos desde a década
de 1970, quando o índice de sobrepeso era de 18,5% para
os homens e 28,7% para as mulheres. Isso também se reflete
na obesidade. De acordo com o dados, 12,5% dos homens sofre
de obesidade e 16,9% das mulheres.
Tanto o excesso de peso quanto
a obesidade foram constatados com maior frequência nas
regiões Sul e Sudeste e nas mais elevadas faixas de renda.
No caso dos homens, a prevalência de sobrepeso foi de
58,7% entre aqueles com ganhos entre dois e cinco salários
mínimos e de 63,2% a partir de cinco salários.
Entre as mulheres, a prevalência é nas classes
intermediárias de renda.
"No caso dos homens, o
excesso de peso e a obesidade mostram uma relação
direta com a renda", destaca a pesquisadora do IBGE Marcia
Quintslr. "Já com as mulheres, observamos que independentemente
da classe de renda, os níveis de excesso de peso ficam
bastante parecidos."
O excesso de peso é maior
entre os homens entre 35 e 64 anos, sendo que tende a diminuir
a partir dessa idade. Já entre as mulheres, o ganho foi
notificado a partir dos 45 até os 74 anos.
Entre as crianças de
5 a 9 anos, o percentual daquelas com excesso de peso é
de 34,8%. Entre os jovens que estão na faixa dos 10 aos
19 anos, o percentual é de 20,5%. A maior prevalência
em ambos os casos foi identificada nas regiões Sul e
Sudeste, mas ocorre em todas as regiões do país.
"É um fenômeno que se mostra crescente na
população e aparece de forma generalizada nas
faixas etárias, nas categorias diversas de rendimento
e nas grandes regiões", reforça a pesquisadora
do IBGE.
O documento indica que o problema
reflete mudanças na alimentação e no hábito
de praticar atividades físicas, já que o excesso
de peso expressa um desequilíbrio no aproveitamento de
calorias pelo corpo. "Pesquisas realizadas até 2002-2003
revelam a tendência crescente de substituição
de alimentos tradicionais (arroz, feijão e hortaliças)
por industrializados (refrigerantes, biscoitos, carne processada
e comida pronta)", afirma o texto.
O documento do IBGE também
lembra que o aproveitamento de energia está ligado à
prática de exercícios físicos, que ainda
não fazem parte do hábito dos brasileiros, em
geral. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(Pnad) mostra que uma a cada dez pessoas com 14 anos ou mais
de idade fazem exercícios ou praticam algum tipo
de esporte regularmente no país.
Isabela Vieira e Lílian Beraldo
EBC – 27/8/10