Economia
Famílias e empresas pagaram
mais pelo crédito financeiro
Empresas e famílias
pagaram mais caro pelo crédito em julho deste ano, enquanto
a inadimplência ficou estável. Segundo dados do
Banco Central (BC) divulgados hoje (24), a taxa de juros média
cobrada das empresas subiu 1,4 ponto percentual, de junho para
o mês passado, e alcançou a marca de 28,7% ao ano.
No caso das pessoas físicas, a alta foi de 0,1 ponto
percentual para 40,5% ao ano. Com isso, a taxa média
teve aumento de 0,8 ponto percentual para 35,4% ao ano.
Para o chefe do Departamento
Econômico do BC, Altamir Lopes, grandes empresas pagaram
empréstimos com recursos livres (com taxas de juros livremente
pactuadas entre o banco e o cliente) e passaram a buscar financiamentos
com recursos direcionados (operações com taxas
pré-estabelecidas em normas governamentais), principalmente
repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
Com isso, avaliou Lopes, as
empresas que permaneceram na carteira de crédito com
recursos livres “têm um potencial de risco mais
elevado, portanto um spread [diferença entre a taxa de
captação e a cobrada dos clientes] mais elevado”.
Assim, as taxas ficam mais elevadas, segundo análise
de Lopes.
Lopes acrescentou que a taxa
média divulgada pelo BC refere-se às operações
com recursos livres e ainda não há dados no relatório
sobre os juros mais baixos cobrados pelo BNDES.
Em julho, o spread para as empresas
apresentou alta de 1,2 ponto percentual em relação
a junho para 18,1% ao ano. No caso das pessoas físicas,
o aumento foi de 0,3 ponto percentual para 28,9% ao ano.
A taxa de inadimplência,
considerados os atrasos superiores a 90 dias, permaneceu em
3,6% para as empresas e em 6,5% para as pessoas físicas.
Lopes avaliou que no caso da
inadimplência para as famílias, a perspectiva é
“boa”. Isso porque os atrasos inferiores a 90 dias
estão em queda. Essa redução deve se refletir
nos dados considerados pelo BC como inadimplência (superiores
a 90 dias). “Entretanto, para as empresas esses atrasos
inferiores a 90 dias já estão estáveis
há algum tempo. Pode haver alguma elevação
na inadimplência para as empresas”.
Kelly Oliveira - EBC
Edição: Lílian Beraldo
24/8/10