Feira de Santana - Bahia - Brasil
* INFORMAÇÕES
 
* A Marca Feira Hoje®
* Contato
* Arquivo de Notícias
* Expediente
* Maria Quitéria
 
Serviço
 
*Ronda nos Bairros / Fones
 
Articulistas
 
* André Pomponet
* Cláudio Boaventura/Zé Bola
* Dom Itamar Vian
* Everaldo Goes
*Sandro Penelu/Caneta Afiada
* Waldir Santos / Concurseiros

 
Canais Educativos
 
* Educadora FM online
*
 
 


A História é Nossa

Everaldo Goes Jornalista e Historiador

Esta seção tem o objetivo de despertar e incentivar a comunidade sobre a importância do conhecimento histórico para a construção da sociedade que desejamos

Família e dominação

Recebemos mensagem eletrônica de Antônio Correia, evangélico, que fez algumas considerações a respeito do artigo escrito por nós há algumas semanas, sobre o tema A Desestruturação da Família – Existem Culpados? Muito nos honram as mensagens enviadas pelos leitores, o que possibilita o debate e o diálogo a respeito dos assuntos aqui colocados.

Antônio Correia discordou da nossa colocação sobre a origem da família nuclear. Afirmamos que tal estrutura foi fruto da Revolução Industrial, construída a partir do século XVIII. Mas, conforme argumenta Correia, esta estrutura familiar teria origem bíblica. Ele afirmou, ainda, que a desestruturação da família tem, como causa principal, a falta de Cristo no coração das pessoas e não a crise do sistema econômico e social da contemporaneidade, como afirmamos.

No que diz respeito a esta última consideração, trata-se de uma excelente oportunidade para outro artigo sobre os campos do conhecimento (senso comum, filosofia, fé e ciência), no qual será demonstrada a importância do ceticismo para as conquistas humanas. Isto, no entanto, ficará para outra oportunidade. Por hora, voltaremos a comentar sobre formas e funções sociais da família.

Ao citar a estrutura nuclear de família, nos referimos a uma família composta por marido, uma só esposa e poucos filhos que conviviam sob o mesmo teto, de preferência morando perto das fábricas que surgiram com a Revolução Industrial.

É preciso que se observe que, nesta coluna, nos restringimos a análises científicas, deixando de lado o campo da fé. Neste sentido, para muitos pesquisadores a família não é algo natural nem universal, muito menos imutável. Conforme o espaço e a época, a família tem estrutura moldada para cumprir função ideológica dominante, das classes dominantes.

Isto significa que, além de exercer a função biológica, de reprodução, a família promove a reprodução social. Os indivíduos são condicionados, no convívio com pais, irmãos e outros parentes, à estrutura ideológica de sociedade dominante na qual estão inseridos. É a família que ensina aos membros como se comportar fora das relações internas.

Com a desestruturação da família nuclear, ocasionada pelas transformações econômicas e sociais da contemporaneidade, estariam comprometidos os mecanismos de dominação? Nada disso. Tais mecanismos estão até fortalecidos, sofisticados.

Como e por quê? Se os moldes da família nuclear criavam a submissão, criavam também a revolta através do inconformismo e do embate contra pai e mãe, atores facilmente identificados neste contexto e que, em certo ponto, representam agentes do processo de dominação.

Na atual estrutura social, a dominação torna-se cada vez mais impessoal (dificultando a identificação do agente dominador), objetiva, universal e também cada vez mais racional (1).

Essa função, antes da família nuclear, em decadência, agora é disseminada por inúmeros agentes sociais, como a escola e os meios de comunicação de massa, que utilizam a persuasão na imposição de padrões de comportamentos, veiculados como normais, dificultando a identificação do agente tido por muitos como agressor (2).

A família, porém, não perdeu a importância no processo de imposição da ideologia dominante, pois continua a organizar a vida emocional dos membros, transformando a ideologia dominante em visão de mundo, que serão assumidos, em determinado momento, pelos indivíduos.

Qual o futuro da família? Não se sabe ao certo. Como foi exposto, ela é moldada em conformidade com a estrutura social e econômica em evidência. Hoje, mesmo, é possível identificar diferentes estruturas familiares. A família, entretanto, poderia servir de meio não de dominação, mas de instrumento de inserção e transformação social.

Referências

1. Marcuse. H. Eros e Civilização: Uma interpretação filosófica do pensamento de Freud.
2. Reis, José R. Tozoni. O Indivíduo e as Instituições

Arquivo - Everaldo Goes

- A desestruturação da família - existem culpados?
- Lula: o que há por trás deste fenômeno?
- História: para quê?

PUBLICIDADE
 
 

 

 

 

 

 

 
 
m
Feira Hoje® 2010 - Todos os Direitos Reservados
Rua dos Contabilistas, 179 - Centro - Feira de Santana-BA. CEP 44.001-560. Fones (75) 3489-7335 / 8125-8663 jornalismo@feirahoje.com.br / comercial@feirahoje.com.br