|
|
A História é Nossa
Esta seção tem o objetivo de despertar e incentivar a comunidade sobre a importância do conhecimento histórico para a construção da sociedade que desejamosHistória - para quê?O que é História? É a narração de realizações, com protagonistas e datas. Esta definição era comum há algumas décadas, quando, nas escolas, aos alunos era passada uma série cronológica de fatos que aconteceram (ou teriam acontecido) no Brasil e no mundo. Hoje, os historiadores sabem que aqueles conteúdos eram nada mais que uma narração de um passado visto por si mesmo e ali encerrado, sem reflexões, limitado e muitas vezes nulo, praticamente sem relação com o presente. Uma das conseqüências foi, ou ainda é, o desinteresse do aluno pela História. Fruto de um sistema de ensino imposto por interesses econômicos e políticos, com o objetivo de dominação, as Ciências Humanas foram desprestigiadas, assim como o foi a cultura dos povos. A situação é agravada por fatores como o descaso e a destruição dos vestígios da nossa história (construções antigas, documentação e paisagens). As pesquisas históricas, então, ficaram limitadas aos muros das universidades. Mas, ao contrário do que se possa pensar, as Humanas interessam, e muito, aos governos. Por exemplo, as informações produzidas por estas pesquisas são utilizadas para o controle de massas, a partir da identificação do comportamento dessas, da sua cultura, das crenças. Neste contexto, as populações não podem nem devem pensar ou refletir sobre a realidade social, política e econômica em que estão inseridas – é isto que quer a superestrutura (se você não sabe o que é superestrutura, consulte o dicionário, a internet, e eleve o nível de conhecimento; aprofunde-se, também, nos conceitos de “ideologia”). Como é possível impedir que o povo reflita? Os métodos utilizados são muitos. Observe este exemplo protagonizado por um dos personagens da superestrutura – a imprensa. Os telejornais, de qualquer canal, têm este modelo comum: relatam, de forma rápida e muitas vezes incompreensível para a maioria, fatos isolados envolvendo guerras, países, entraves em Brasília, etc, em conformidade com determinados interesses. Não são divulgados nem debatidos o histórico, as causas e implicações do que foi mostrado. Tampouco é dado tempo a qualquer questionamento possível da parte do expectador, pois, logo de imediato, são veiculadas notícias mais brandas e positivas, como conquistas nos esportes ou mensagens de esperança. E o telejornal acaba com um “boa noite”. Fim. O consciente de quem assiste “esquece” o mostrado antes, mas o inconsciente (ou subconsciente) captou a mensagem que se deseja disseminar, sem qualquer questionamento. Como a História está inserida em tudo isso? Professores têm a responsabilidade de incentivar, em sala de aula, a reflexão e o debate sobre a realidade. A História não se constitui mais em simples narração de grandes feitos de grandes homens, nem datas. Os novos livros didáticos têm levado o aluno a pensar sobre a construção da atual sociedade, seja em nível mundial ou dentro da sua própria cidade, do seu bairro, ou de uma estrutura social, por menor que seja, na qual está inserido (História, do grego antigo, significa investigação, informação). Para quê serve esta reflexão? Da mesma forma que um médico ou psicólogo investiga o passado do paciente, na tentativa descobrir as causas de uma enfermidade física o mental, a História tem a função de levantar as causas e explicar a realidade na qual vivemos. Assim, podemos transformar a sociedade com ações, da mesma forma que um profissional da saúde dosa a medida certa desse ou daquele medicamento contra uma enfermidade. A presença da violência nas sociedades, da corrupção, drogas, exclusão, é resultado de ações humanas do passado, de governos, de interesses de minorias dominantes que não planejaram e não permitiram que se planejasse o futuro. Como conseqüência, essas mazelas têm atingido a todos, independente de classe social. Neste contexto, é imprescindível a ação das disciplinas das Ciências Humanas (Sociologia, Antropologia, Filosofia, História e outras). Everaldo Goes – jornalista
e graduado em História |
|
| m |
Feira
Hoje® 2009
- Todos os Direitos Reservados Rua dos Contabilistas, 179 - Centro - Feira de Santana-BA. CEP 44.001-560. Tel.: (75) 3489-7335 / 8125-8663 |